Blog do Júnior Bocelli

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Pra Jesus o doente pode ser você

Pra Jesus o doente pode ser você

Já faz um tempo que gravei esse vídeo da menina Vitória Martins; ela possui uma doença degenerativa, mas dirige um grupo de Cristão em meio as suas muitas dificuldades diárias. Ao final do vídeo o pastor Caio faz um breve comentário e uma oração.

Para mim é impossível assistir esse vídeo e não me lembrar que um dos pecados que será “imperdoável”, segundo Jesus, é aquele dos que não viveram com gratidão a vida que receberam de Deus, ou seja, o pecado de não se viver a vida que se poderia ter vivido.

Os “talentos” apresentados na parábola de Jesus, que significavam uma grande soma em dinheiro, hoje usamos para designar habilidades e dons pessoais. Porém, dentro daquele contexto, os “talentos” representam bem mais que isso; além de habilidades pessoais e recursos que o Senhor nos concede para fazermos o bem, esses talentos também dizem respeito as oportunidades espirituais que o Senhor nos concede e que não aproveitamos. Essas luzes espirituais dadas pelo Senhor deveriam produzir frutos em nós com os quais poderíamos servir nossos irmãos e, por conseguinte, a Deus.

Esse é um dos significados da parábola contada por Jesus, pois Israel era a nação a quem o Senhor mais havia dado oportunidades espirituais, porém, todas haviam sido por eles desperdiçadas. Eles haviam recebidos todas as luzes espirituais trazidas pelos profetas, mas, ao invés de as receberem, eles as rejeitaram e quase sempre assassinando os enviados. Quando, Jesus, o Filho do Dono da Vinha, foi finalmente enviado, eles não o reconheceram e crucificaram-no.

O servo inútil (aquele que recebeu somente um talento e o enterrou), apesar de não ter se mostrado desonesto, deixou de empregar o seu talento de maneira vantajosa; ele recebera do seu senhor um depósito e uma ordem para que granjeasse sabiamente  as suas possessões. Apesar dele não aparentar ser mau exteriormente, no seu íntimo foi preguiçoso, negligente e egoísta, o que o tornou não digno da confiança do seu senhor.

Ora, mas o que tem a ver a “Parábola dos Talentos” com o vídeo da menina? O servo inútil, o homem de um só talento, é tentado a dizer: “Com minhas poucas aptidões e capacidades, o que posso eu fazer?”; é um tentação demoníaca darmos ouvido a voz que diz “O que posso eu fazer?”, e não fazermos nada em relação ao nosso chamado no Evangelho. O homem de um só talento incliná-se para o ressentimento. Pode ressentir-se da própria vida e da dos seus semelhantes, por achar que foi insuficiente dotado de dons e recursos materiais.

Esses, numa tentativa de não terem que admitir a sua própria mediocridade, geralmente culpam a Deus pelo seus fracassos. Muitos criticam Deus, ou os homens (principalmente na figura do Estado), tentando justificar o seu mau-humor em relação a vida. O servo inútil acusa o seu senhor de estar querendo colher onde ele não semeou:

“Por fim veio o que tinha recebido um talento e disse: ‘Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Por isso, tive medo, saí e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que lhe pertence’.

O fato de aquele servo ter recebido apenas 1 talento não o tornava inútil; mas sim o desprezo em relação a oportunidade oferecida pelo seu senhor. Sobretudo porque esse servo não precisava fazer algo excepcional para ser aprovado. Enquanto os demais servos tiveram muito trabalho para negociar os seus talentos, o servo inútil nem ao menos fez uma coisa tão fácil como entregar o seu talento aos banqueiros para que o senhor recebesse os juros.

Você acredita que 1 talento era pouco dinheiro? Essa era a quantia que um trabalhador bem remunerado conseguiria juntar em cerca de 20 anos de trabalho, ou seja, quase uma vida inteira da produção de um homem. O que Jesus estava ensinando é que até mesmo aquele que pensa ter recebido pouco do Senhor, na verdade recebeu um bem precioso.

Portanto, quando comparamos a situação da menina Vitória Martins com a da maioria de nós, vemos que as dificuldades a serem vencidas por ela são infinitamente maiores, tornando todos aqueles que se queixam da própria vida e que passam por ela improdutivos dignos de condenação.

Não são coisas excepcionais que nos tornam aceitáveis diante de Deus. Se você continuar lendo o trecho no evangelho de Mateus (cap. 25) verá que ninguém será condenado por não ter construído represas, mas sim por não ter oferecido copos d’água a quem tinha sede. O servo inútil não precisava fazer nada excepcional. Se ele apenas seguisse o caminho comum a todos os homens (o bom senso de ao menos aplicar o dinheiro no banco) com gratidão ao seu senhor, ele não teria sido condenado.

Escrito por Júnior Bocelli

Júnior Bocelli tem 31 anos, é Bacharel em Física, mas se deu bem mesmo trabalhando como web designer e professor; CEO da iCriação - Sistemas Web e Desktop e funcionário público. Amante de Jesus e do Evangelho, dedica parte do seu tempo a ajudar pessoas que querem Deus, mas não suportam mais a religião.

1 Comentário so far.

  1. graciela says:

    chorei muito e me senti uma formiga diante da fé dessa criança.tomo um medicamento todos os dias para uma glândula que não funciona em mim e outro para enxaqueca e isso me faz sentir cansada,mas,diante desse video,percebi que estou acomodada,que não faço nada em pról de tantos que não conhecem a Palavra.sou mais uma que enterra o talento.


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