Blog do Júnior Bocelli

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Agredidas em nome de Deus

Agredidas em nome de Deus

Decidi postar uma matéria sobre violência contra a mulher no meio evangélico após participar  de um debate levantado por um amigo na comunidade Deus Revelatus e também após assistir o programa Papo de Graça na última Sexta-feira sobre este tema.

A violência contra a mulher sempre esteve presente na história da humanidade, sobretudo entre as religiões que possuem um discurso moral como o Islamismo e o Cristianismo; se bem que não é um mal presente apenas nas religiões monoteístas e moralistas. Em alguns lugares da Ásia estuprar mulheres faz parte da cultura popular e em uma tribo africana as mulheres tem o clitóris arrancado logo no início da vida sexual.

Analisando especificamente esse assunto no mundo cristão ocidental, seja católico, protestante ou evangélico, vemos que doutrinas como a “submissão da mulher ao homem” e a “insolubilidade do matrimonio” têm atraído um número enorme de indivíduos do sexo masculino inseguros quanto a sua masculinidade (fonte). Se formos trazer à luz do Evangelho essas doutrinas (que não passam de meias verdades na forma como são praticadas) muitos farão a mesma afirmação de Pedro após ver seus “direitos” como homem irem por água abaixo, “Se for assim é melhor que o homem não se case!”

Assisti outro dia um documentário bastante sério sobre a “Caça as Bruxas” que ocorreu na Idade Média, onde descobriu-se que grande parte das “bruxas” condenadas a fogueira naquele período eram apenas mulheres atraentes fisicamente e que despertavam desejos sexuais nos seus inquisidores; esse mesmo espírito está presente desde as seitas islâmicas mais fundamentalistas que apedrejam mulheres, até o crente da seita menos conservadora, porém moralista. O fenômeno psicológico por trás da violência contra a mulher está um desejo doentio em ofuscar o poder de sedução feminino, presente no coração dos mal resolvidos quanto a sua própria condição de homem (leia este artigo para ter uma idéia dos conflitos psicológicos envolvidos). Quanto a isso, Jesus ensinou um caminho diferente a ser seguido pelos seus seguidores. Ele diz:

27 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’
e
. 28 Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher
para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.

Siguinificando, dentre outras coisas, que o verdadeiro discípulo deve guardar o seu coração do desejo lascivo, não punir a mulher como de praxe.

Falo especificamente sobre esse tema no meio evangélico porque é o povo com o qual tenho algum contato, porém, os grande promotores da violência contra a mulher desde o descobrimento do Brasil tem sido a Igreja Católica. Talvez seja até por isso que os católicos (não a Igreja Católica) estejam tão abertos ao tema do divórcio atualmente. O grande refúgio dos inseguros atualmente têm sido as igrejas evangélicas; elas têm sido as promotoras de doutrinas que, como diz Paulo, “têm aparência de humildade, mas nada podem contra a sensualidade”.

Antes de apresentar o artigo gostaria de fazer algumas considerações sobre o que diz o Evangelho acerca de assuntos relacionados ao casamento, pois você seja um dos promotores da violência verbal ou física contra a mulher, ou até mesmo uma mulher com esses problemas.

Em primeiro lugar devemos notar que, caso não haja conjugalidade e amor verdadeiro em uma relação entre um homem e uma mulher, não se está casado perante Deus, embora possa se estar casado perante o Estado e a igreja, mas perante Deus você comete adultério. Pois, quando se diz “o que Deus uniu não separe o homem”, deve-se notar que o Estado e a igreja não substituem Deus (biblicamente nem ao menos existe “casamento religioso”) e muito menos falam em nome Dele.

“Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe”.

Se fosse possível ao Estado ou a igreja unir um casal, o dispositivo jurídico do divórcio seria desnecessário, porém, uma vez que ele existe sendo necessário para alguns e para outros não, somos obrigados a concordar que a única coisa capaz de manter duas pessoas unidas com alguma conjugalidade é o amor. O divórcio, portanto, separa somente aquele que, perante Deus, ou nunca esteve casado, ou que já não está mais casado.

Outra coisa que deve ser lembrada é que, segundo o Evangelho, aquele que não cuida dos da sua própria casa é pior que um “incrédulo”, conforme nos diz Paulo quando escreveu à Timóteo. Esse termo “cuidar” no contexto matrimonial também deve ser analisado, pois a mulher deve ser tratada com honra, como uma pessoa mais frágil, além de irmã em Cristo. Isso é bastante sério, pois Pedro diz que a oração desses não chega diante de Deus, ou seja, nem mesmo os momentos que você pensa ter “intimidade com Deus” não passam de enganos da sua parte:

Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações.

Se Pedro já aconselhava isso em sua época imagine quão pior está a situação dos que se dizem “cristãos” hoje, pois, uma vez que “cristianismo” tenha se tornado apenas mais uma religião com ritos, crenças e performances exteriores, é um bom esconderijo para aqueles que querem viver de aparência.

A última coisa que quero dizer é que Paulo, quando interrogado acerca do casamento, resume essa questão dizendo que somos chamados para viver em paz e não em servidão. Portanto, ninguém tem obrigação diante de Deus de viver com alguém que se diz homem, mas é pior que um animal. De fato, se não fossem as proibições da “igreja”, a necessidade de manter a reputação e o moralismo, muitos casamentos (que só existem diante dos homens) já teriam terminado. O chamado do Evangelho é para preservar a consciência, não a reputação; é para defender a ética que atua no amor e em favor da paz, não o moralismo.

Ora, se Jesus não queria servidão nem mesmo em relação a ele, pois freqüentemente dizia aos seus discípulos para o abandonarem caso sentissem vontade, quanto mais servidão ao perverso.

Finalmente, a matéria:

Das 3 mil mulheres que procuram ONG da Zona Leste que assiste vítimas de violência, 90% são evangélicas agredidas física ou verbalmente pelos maridos – que, na igreja, são exemplos de bondade

Quem vê Antonio na rua, Bíblia debaixo do braço, roupa social, jeito de gente boa, já imagina: “O sujeito é crente.” Na igreja, então, o homem é um exemplo de bondade. É calmo, freqüenta o curso para se tornar obreiro (quando se formar, dará aula na escola dominical), vira anjo ao cruzar a porta do templo. “Faz pregações maravilhosas”, diz a mulher, Joana, 39 anos, casada há 15 com Antonio. “Ele fala sobre a paz e como todos devem amar seus inimigos.”

Só que Antonio, manso como uma ovelha do rebanho do Senhor ao lado de seus “irmãozinhos”, se transforma em bicho bravo quando está sozinho com a família. Dentro de casa, diz palavrões, agride a mulher. “Ele já me agarrou pelo cabelo e me jogou em cima da cama”, conta Joana. “Também atirou um frasco de xampu na minha cabeça. Não sei por que age assim.”

Como Joana, outras evangélicas, com saias longas, cabelos e mágoa pesando sobre os ombros, também não entendem a mudança de seus homens quando eles põem os pés fora da igreja e brandem as mãos dentro de casa. E, cansadas de não achar refúgio na paz de seus templos – elas preferem não divulgar o nome das igrejas que freqüentam -, encontraram abrigo na Casa de Isabel, uma ONG da Zona Leste que, em parceria com a Prefeitura e o Estado, oferece assistência psicológica e jurídica a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência.

A romaria de evangélicas à Casa de Isabel está assustando a pesquisadora da área da violência e presidente da entidade Sônia Regina Maurelli. A ONG atende 3 mil mulheres por mês. “Posso afirmar que 90% são freqüentadoras assíduas de igrejas evangélicas”, diz a pesquisadora. “Me surpreende é ver as mulheres submetidas à doutrina das igrejas. Ser submissa não é tolerar espancamento.”

Analisando suas estatísticas, Sônia observa que grande parte das igrejas não oferece aos fiéis um trabalho de aconselhamento. “Se existisse, esta casa não estaria tão cheia. Acredito que essas mulheres estão nos procurando porque estão lendo e se informando mais.” Joana, a mulher de Antonio, admite que as portas da Casa de Isabel foram as únicas que se abriram para socorrê-la: “Procurei a pastora da minha igreja e ela me falou que problema como o meu tinha de ser resolvido entre marido e mulher.”

A palavra-chave citada pelas evangélicas ouvidas pelo JT foi “submissão” – além de Joana, Lurdes, 33 anos, e Ana, 54, concordaram em falar sobre o que acontece dentro de suas casas. Joana diz: “Quando reclamo com o Antonio, ele fala de um versículo bíblico: ‘Mulheres, sujeitai-vos aos vossos maridos’. Só que a Bíblia não fala para a gente ser escrava deles.”

Ana, 33 anos de casada, convive com o marido que esqueceu os ensinamentos sobre respeito e harmonia: “Não tenho nenhum carinho. Só palavrões. A agressão verbal às vezes é pior que tapa. Um tapa você revida, mas a mágoa nada pode tirar.” Muitas vezes, Ana pensou em separação, mas desistiu: “Ele me xinga. Depois fica mansinho e lava a louça para mim.”

Joana também fica dividida entre deixar Antonio, por causa das agressões, e a culpa que sente por não se considerar uma boa dona de casa. “Não sei arrumar um guarda-roupa tão impecável como minha mãe”, conta. “Detesto passar roupa e ele só usa camisa social.”

Casada há 9 anos, Lurdes, até pouco tempo atrás, ia com o marido à igreja. Hoje, depois de uma decepção, ele parou de freqüentar o templo: “Viu uns ‘irmãos’ da igreja bebendo num bar e ficou revoltado. Não me bate, mas me humilha e diz todo tipo de palavrões.”

A vida de Lurdes se tornou mais difícil depois que, meses atrás, foi vítima de estupro. “Começou a dizer que, se fui atacada, é porque dei bola para o estuprador. Eu não exponho meu corpo. Mas meu marido não teve compreensão. Vive dizendo: ‘Você não é uma mulher direita’. Não posso contar com ninguém na igreja porque lá me dizem: ‘Ninguém precisa de psicólogo. Aqui, o psicólogo é Jesus’.”

Reportagem retirada do Jornal da Tarde.

Escrito por Júnior Bocelli

Júnior Bocelli tem 31 anos, é Bacharel em Física, mas se deu bem mesmo trabalhando como web designer e professor; CEO da iCriação - Sistemas Web e Desktop e funcionário público. Amante de Jesus e do Evangelho, dedica parte do seu tempo a ajudar pessoas que querem Deus, mas não suportam mais a religião.

1 Comentário so far.

  1. Monique says:

    Júnior, primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo tema abordado”! E queria reforçar sua idéia em divugar relatos de mulheres evangélicas agredidas por maridos”!Continue e aumente a divugação do seu site pois será importante para o esclarecimento de muitas mulheres que omitem ainda ser mau tratadas por seus maridos”!Como aconteceu comigo e que veio tudo a tona depois de uma agreção verbal e física de meu ex marido”! Ele fez uma , fez a segunda, eu eu só perdoando e ele só me magoando, me entristecendo , enfim tinha esperança em Deus que ele mudasse”! E nada aconteceu”! Denunciei e agora estou esperando a justiça por tud que ele me fez”!Ele me pediu perdão numa carta, atravéis do email do meu irmão (pediu perdão aos meu familiares_), meu irmão o bloqueou”!Ele ainda tem chances de mudar e fala que vai me dar uma vida digna de casado e que vai me esperar em Deus e ainda pede perdão em nome de Jesus”! Ele me humilhou, perante conhecidos visinhos, dei chances pra ele, me deixou com uma sequela no olho direito enchergo embaçado devido um espancamento”! (que foi a primeirta agreção que sofri_)”!Enfim estou sofrendo pois estou separada dele, mas como todos dizem Deus deu um basta porque eu não tinha mas controle da minha vida, estava cega, ele não me ama”!Isso não é amor”!
    Deus estano controle”!Não desejo nenhum mau a ele,quero que ele volte pra Jesus e refaça sua vida”!E quero que Deus me de uma RESPOSTA, porque estou profundamete magoada”! Ñão se Brinca com os sentimentos das pessoas isso é sério é uma vida dedicada a outra, ou melhor é uma parte sua que morre”!Espero que Deus me cure e creio que ele quer o melhor pra mim”! Enfim que Deus te abençoe e continue usando você como um canal de força para essas pessoas!Creio no poder de libertação do nosso Senhor para estas pessoas tanto agressores como agredidas, creio que Deus possa restaurar casamentos! Mas para isso basta reconhecer o seu erro e querer mudar! Um grande abraço!Fica com Deus!


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