Blog do Júnior Bocelli

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Aluga-se uma “igreja”

Aluga-se uma "igreja"

Fazem umas duas semanas, vi no Terra.com uma matéria inacreditável envolvendo a pré-candidata à Presidência da República e a seita (não é preconceito, apenas não gosto da palavra “denominação”) cristã Assembléia de Deus. Trata-se de uma reportagem sobre a decisão da Assembléia de Deus em não apoiar Marina Silva nessas eleições.

A razão, pasmem: ela não tem chances de ganhar as eleições e, portanto, não tem nada a oferecer a “igreja”! Isso, além de não ter dinheiro para bancar sua campanha junto a denominação e não ser nem um pouco flexível em suas posições políticas.

A “igreja”, que não possui união nem mesmo internamente, estará dividida entre Serra (esse sim tem muito dinheiro) e Dilma (ex-criminosa, terrorista e que mantém ligação com as Farcs), afirmou Gedeon Alencar, especialista em ciência da religião e presbítero da dissidente Igreja Assembleia de Deus Betesda em São Paulo. Essa é uma das vantagens em pertencer a uma seita fragmentada, pois cada uma pode associar-se ao candidato que lhe for mais interessante.

Marina Silva tornou-se evangélica em 1997 e possui ligação com a Assembléia de Deus desde então. Em reunião com a liderança evangélica do país (no final do mês de Maio), a pré-candidata abriu mão do apoio dos evangélicos, pois considerou os assuntos pautados pelos religiosos fúteis e irrelevantes; frente aos reais problemas enfrentados pela nação, como o problema ambiental e o desenvolvimento sustentável, a desigualdade econômica, o analfabetismo e a miséria. Segundo o pastor Caio Fábio relatou no programa Papo de Graça, os assuntos pautados estiveram “entre o pênis e a vagina”, restringindo-se a questão homossexual e ao aborto.

Quem estava na igreja evangélica em eleições passadas lembra-se de que o carro chefe que elegeu os evangélicos (cujo nomes de quase todos estiveram entre os “anões do orçamento” e outros escândalos) foi o “casamento homossexual”, a “legalização do aborto” e a “pesquisa em células tronco”. Na verdade trata-se de um importação norte-americana. Os mesmos temas foram usados como pretextos para que os evangélicos dos EUA fizessem aliança com o ex-presidente George Bush nas eleições passadas. Todos nós sabemos o resultado: uma guerra inútil, um descaso para com os pobres e uma crise econômica que abalou toda a Terra.

O segmento evangélico brasileiro vem, na sua grande maioria, das camadas mais populares da sociedade; o que já contribui para que ele seja irreflexível, sem conhecimento histórico e manipulável. Somado a isto, ainda temos o discurso prosélito pentecostal e a “autoridade espiritual” (vigarista) dos líderes sobre o povo, piorando em muito a situação tornando o segmento ainda mais burro.

Essa ignorância é um prato cheio para esses líderes ávidos por alianças políticas. Eventos evangeílsticos, como a “Marcha pra Jesus”, são forjados para que esses candidatos sejam apresentados ao povo (sempre como um grande aliado da igreja). Eles ainda têm a cara de pau de colocar a “Marcha pra Jesus” em estado de competição com a “Parada Gay” como estratégia marqueteira para que o povo compareça no dia da marcha.

E por que esse interesse todo em política? É óbvio. Os líderes evangélicos fazem alianças políticas para obterem benefícios como concessões de rádios e tvs, apoio a eventos da seita e um certo controle sobre investigações feitas pela Polícia Federal (fonte).

A “igreja” se diz “evangélica” ou “protestante” (os grupos históricos não gostam de ser chamados de “evangélicos”), mas do Evangelho ficou apenas com o nome “Jesus”, e só “protesta” quando seus interesses estão em jogo; aliou-se  ao que o apóstolo Paulo chamou de “fluxo desse mundo”. Valores do Evangelho como a integridade, a ética e a luta por um mundo mais justo (o bem aventurado tem fome e sede de justiça, lembram-se?) foram abandonados.

O caráter não é mais avaliado, mas sim o que determinada pessoa pode nos oferecer. Mostrando o quanto nós não aguardamos mais o Reino de Deus, aquele que “não vêm em visível aparência”, mas, em tempos de “Teologia da Prosperidade”, nos enganamos a acreditando que a instituição da igreja representa o Reino de Deus na Terra. Por isso ela corrompeu-se e, como diz João no Apocalípse, prostituiu-se tornando-se mais anátema que a igreja Católica na Idade Média; e mais semelhantes a Besta que ao Cordeiro.

Categorias: Meus artigos, Reflexões

Escrito por Júnior Bocelli

Júnior Bocelli tem 31 anos, é Bacharel em Física, mas se deu bem mesmo trabalhando como web designer e professor; CEO da iCriação - Sistemas Web e Desktop e funcionário público. Amante de Jesus e do Evangelho, dedica parte do seu tempo a ajudar pessoas que querem Deus, mas não suportam mais a religião.

2 Comentários so far.

  1. Rafael says:

    Graças a Deus! não sou mais evangélico

  2. fran says:

    Pra mim todas igrejas sao prostitutas e seus pastores assalariados, porque o bom pastor da a vida pelas suas ovelhas

    “” sai dela povo meu””


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