Blog do Júnior Bocelli

Estudos bíblicos, reflêxões, devocionais, histórias e artigos em geral.

Um espelho para o qual poucos ousam olhar

Um espelho para o qual poucos ousam olhar

Na carta de Tiago, no Novo Testamento, lemos uma declaração interessante do apóstolo sobre uma propriedade importante da Palavra de Deus; ele diz:

“Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência.”

Ou seja, para Tiago, a palavra do Evangelho de Jesus assemelha-se a um espelho, o qual tem a capacidade de mostrar o verdadeiro “eu” para todo aquele que ouse olhar para ele. Isso porque, Deus, subsistindo na forma humana em Jesus, representa, dentre muitas coisas, a total denudação do homem perante o próprio homem.

Jesus não julgava os homens conforme as aparências – segundo conceitos humanos exteriores – pois Ele sabia o que havia no coração de cada um e julgava segundo a reta Justiça de Deus. Daí tudo o que Ele fazer e dizer parecer tão contraditório aos seus espectadores.

Ele ofereceu misericórdia aos considerados pecadores, porém, não deixou de acusar a hipocrisia dos religiosos de sua época; Ele não se deixou bajular pelo “mancebo rico” (apesar de tê-lo amado), mas contentava-se com a companhia de humildes pescadores que tinham deixado o pouco que tinham para segui-lo; Ele não transformou pedras em pães quando teve fome, mas alimentou uma multidão faminta (que ha dias o seguia) com cinco pães e dois peixes; através dEle, o Pai ocultou o Reino aos grandes e poderosos, mas o revelou aos humildes e pequeninos na Terra; Ele cumpriu a Lei sem ter sido um homicida; preferiu pregar de um barco a beira mar que no Templo; sentou-se ao lado e pediu água a uma Samaritana, dentre muitas outras coisas.

Não há nada que eu veja Jesus fazendo que não seja uma total contradição aos seus espectadores, tão viciados ao “fluxo desse mundo”, como maneira medíocre e única de existir. Ele foi “pedra de contradição” enquanto esteve com os homens, exatamente como profetizou Simeão:

“Este menino está destinado a causar a queda e o soerguimento de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição, de modo que o pensamento de muitos corações será revelado.”

Ele resistiu aos soberbos, que confiavam na sua própria justiça, mas revelou-se aos humildes, que se sabiam irremediavelmente pecadores; como diz a Sabedoria:

“Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”

O reconhecimento de quem nós somos, sem auto-enganos, só é possível quando Deus, pela sua graça, revela a nós quem Ele é; pois, é no contraste existente entre o homem e Deus, em Poder e Santidade, que vemos o que realmente somos e constatamos a nossa total inadequação a Deus. Vejamos alguns exemplos começando por Isaías:

“Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!”

E Pedro?

Quando Simão Pedro viu isso (a primeira pesca milagrosa), prostrou-se aos pés de Jesus e disse: ‘Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!’”

O ladrão que morria ao lado na cruz:

“Nós estamos sendo punidos com justiça, porque estamos recebendo o que os nossos atos merecemMas este homem não cometeu nenhum mal.”

Talvez nenhum outro exemplo esteja tão claro quanto o do apóstolo Paulo, que podemos observar lendo suas cartas. Vejamos qual a consciência dele a respeito de si mesmo antes e depois de encontrar-se com Cristo no caminho para Damasco:

“Se alguém pensa que tem razões para confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à Lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível.”

No entanto, Paulo descobriu algo muito mais precioso que sua própria justiça, no Evangelho: a graça de Jesus que a todos gratuitamente justifica. Através dela temos paz com Deus e com nossa própria consciência, de modo que podemos reconhecer quem somos sem medo:

“No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?”

Pois,

“[…] agora já não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte.

Agora, com essa certeza, que vem pela fé, o apóstolo não precisa mais encontrar em sua genealogia um motivo para ser mais merecedor de Deus que os outros homens; não precisa mais esconder na moral religiosa a ambigüidade do seu próprio ser; não se sente mais culpado ao ponto de organizar cruzadas contra “pecadores” em nome de Deus.

Percebemos então, mais uma vez, que é impossível que exista santidade sem que se tenha crido no perdão eterno de Deus, pois é impossível que haja um enfrentamento entre o Evangelho e o nosso verdadeiro “eu”. Geralmente o que ocorre na religião é uma cauterização de consciência.

É impossível, portanto, alguém dizer que creu no Evangelho e continuar confiando na sua própria justiça; bem como, é impossível que alguém creia no Evangelho se o pai não lho revelar. Aí é que surge um problema, pois o que se tem visto nas “igrejas cristãs” é uma falsificação da pessoa de Jesus e do significado do Evangelho, de modo que, a maioria esmagadora dos que dizem “crer em Jesus” não sabe as implicações dessa afirmação.

Em face dessa realidade sugiro a você que leia o Novo Testamento tentando descobrir quem é Jesus. Tenho certeza de que, no meio desse Caminho, você encontrará a resposta sobre a verdade do seu próprio ser, e a paz de Cristo se estabelecerá no seu coração na esperança da glória vindoura.

Diz-se da Palavra de Deus:

“Pois a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções dos corações.”

A maioria das pessoas, mesmo dentro das igrejas, não sabe discernir os seus próprios pensamentos e desejos, vivendo angustiadas sempre a procura de algo, sem nunca se satisfazerem. Algumas são levadas por “ventos de doutrinas” de um lugar para outro; outras, não tendo satisfação em Deus, vivem amargurados tornando-se um diabo na vida do próximo; e algumas se entregam ao hedonismo, embora pareçam santas aos homens.

Você viverá em estado de angustia perene enquanto não compreender que Jesus quer ter uma relação íntima com você mesmo, não com o “si mesmo”, esse personagem que você criou para se relacionar com o mundo. E você só conseguirá “negar a si mesmo” deixando-se “lavar pela Palavra” pura e simples do Evangelho.

Leia você mesmo o Evangelho e creia, sem medo, no que está escrito. Procure saber você mesmo quem é Jesus; não confie na opinião de terceiros, pois têm surgido vários “Jesuses” pelo mundo: o católico, o reformado, o evangélico, o pentecostal e etc; um totalmente diferente do outro.

Na medida em que você for descobrindo quem é Jesus e o que significa o Evangelho, não tenha medo de negar as falsas e antigas impressões que você possuía sobre Jesus e sobre você mesmo, pois em Deus você já tem o perdão.

Desejo que o seu coração seja sempre terra boa para que a semente do Evangelho cresça e você dê muitos frutos.

Categorias: Meus artigos, Reflexões

Escrito por Júnior Bocelli

Júnior Bocelli tem 31 anos, é Bacharel em Física, mas se deu bem mesmo trabalhando como web designer e professor; CEO da iCriação - Sistemas Web e Desktop e funcionário público. Amante de Jesus e do Evangelho, dedica parte do seu tempo a ajudar pessoas que querem Deus, mas não suportam mais a religião.


Conheça também