Blog do Júnior Bocelli

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Transformaram nossa Segurança em desassossego

Transformaram nossa Segurança em desassossego

Há dias atrás estava eu ouvindo um “pregador” comentando sobre uma passagem da carta de Paulo aos Romanos, onde o sujeito, na maior cara de pau e falta de temor de Deus, associava um texto que deveria ser o motivo do nosso descanso em Cristo, à freqüência e assiduidade do “cristão” nos cultos e trabalhos da igreja. Alguns “pregadores” não medem as conseqüências de suas palavras e usam palavras enganadoras para envolverem o povo em seus próprios projetos egoístas, como se fossem projetos de Deus. Pensam que Deus associou-se a sua maldade e, portanto, os fins justificam os meios.

O texto em questão está (de acordo com a divisão em capítulos e versículos feita pela Sociedade Bíblica) no final do capítulo 8 da carta, onde se diz:

“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? […] Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Ora, neste texto Paulo fala sobre a nossa segurança em Cristo em meios as tribulações normais da vida como, fome, perigos, nudez e etc; bem como nas tribulações produzidas como implicações de se viver o Evangelho no mundo, como perseguição e, conseqüentemente, a espada. É a mesma afirmação que ele faz em outras cartas, mas usando outras palavras, quando diz “aprendi a viver em todas as situações” ou “posso tudo naquele que fortalece”.

Ao contrário disso tudo, o tal pregador fez uma exegese “malandra” do texto, dizendo que “nós, os salvos, devemos cuidar para que nada fique entre nós e a ‘igreja’, nada ocupe o lugar do dízimo. Inclusive, nem mesmo uma visita inesperada na hora do culto é um bom motivo para faltar as reuniões”; ou seja, o que deveria ser a nossa segurança em Cristo foi transformada em desassossego, paranóia e trabalho! Pior que isso, pois, além de dizer essas coisas, afirmou que Deus dará prosperidade ao que assim proceder, baseado (segundo ele) no que disse Jesus – “buscai primeiro o Reino de Deus e as demais coisas vos serão acrescentadas” – negando a proposta do Evangelho que é a de “aprender a viver em todas as situações”.

Para entendermos esses versículos acima é preciso, no mínimo, saber do que se está falando e, para isso, precisamos analisar o texto anterior para sabermos o que significa essa conclusão de Paulo. Ele vinha dizendo anteriormente sobre a incapacidade do homem em cumprir toda a justiça de Deus, uma vez que o pecado faz parte da natureza humana, de maneira que, apesar de com a mente desejar-se fazer somente o que é bom, geralmente fazemos o que é mau por causa da lei do pecado que habita no homem:

“Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a essa morte?”

Para a nossa sorte, no entanto, essa situação preocupante de inadequação do homem a lei de Deus já foi resolvida com o sacrifício de Jesus. E é essa informação que trás a paz ao coração de todo aquele que crê; paz que é fundamental para que aqueles a quem Cristo justificou, possam se aperfeiçoados por Ele segundo a lei do Espírito que consiste em amor, graça e paz para com os homens (clique aqui para ler um texto unicamente sobre esse assunto).

“Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte. Porque, aquilo que a Lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da Lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito.”

Além da paz de nos sabermos reconciliados com Deus, também nasce a esperança da nossa “redenção desse corpo de morte”, quando “o que é mortal será absorvido pela vida”, e estaremos “livres desse corpo de morte”. Essa esperança é fruto da presença do Espírito Santo no crente, que testemunha em nosso espírito nos assegurando que a morte não terá a vitória sobre nós, pois o Espírito é a garantia do nosso resgate.

“Pois, enquanto estamos nesta casa, gememos e nos angustiamos, porque não queremos ser despidos, mas revestidos da nossa habitação celestial, para que aquilo que é mortal seja absorvido pela vida. Foi Deus que nos preparou para esse propósito, dando-nos o Espírito como garantia do que está por vir.”

Em contraste com essa paz e essa esperança, na alma do Cristão nasce uma dor: a dor do existir nesse “corpo de morte”; o Cristão é um ser ambíguo nesse aspecto. Se você está pensando que essa “dor de existir” é a dor devido às dificuldades dessa vida, você está errado; é você que é um grande frouxo. Essa “dor de existir” é a dor de sabermos quem somos em Deus, mas ainda assim ter que habitar nesse “corpo de morte” como um ser imperfeito. É a dor de vivermos em ambigüidade, tendo que adiar o momento de sermos a semelhança dEle, em amor e graça, para o momento em que “o veremos face a face”.

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois o veremos como Ele é.”

Por este motivo, o apóstolo diz que “gememos interiormente” enquanto não recebemos a nossa redenção; não nós, apenas, mas toda a natureza “geme” aguardando em grande expectativa que “os filhos de Deus sejam revelados”, para que ela seja liberta da escravidão a qual está sujeita.

“Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.”

É nesse ponto que Paulo introduz mais uma garantia de que estamos seguros em Cristo, pois, apesar de sermos falhos, imperfeitos e tão longe de sermos quem ainda seremos em Cristo; ainda assim podemos nos considerar como filhos de Deus. Porque o Espírito, além de nos ajudar em nossas deficiências, ainda clama na presença do Pai em nosso favor com “gemidos inexprimíveis”, pois nem ao menos sabemos pedir a Deus o que realmente precisamos.

“Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.”

Portanto,  não precisamos nos preocupar quanto a isto, bastando apenas confiar em Deus.  Quando de fato cremos assim, as adversidades da vida perdem o poder de nos afetar, pois temos plena fé de que o que estamos recebendo na vida, seja bom ou ruim, o melhor de Deus sempre. E é exatamente isso que Paulo diz logo em seguida, completando seu raciocínio:

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, e dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.”

Agora sim, sabendo todas essas coisas, a saber: que somos pecadores, mas o sacrifício de Jesus nos justificou de graça, e, portanto, não temos mais acusações contra nós; que o Espírito Santo que testifica em nós que somos Filhos de Deus, é a garantia do nosso resgate na morte; que “os sofrimentos dessa era não podem se comparar com a glória que nos será revelada”; que o Espírito Santo sempre nos ajudará em nossas fraquezas; que a natureza também aguarda a nossa redenção; que o Espírito Santo também intercede em nosso favor junto ao Pai; e o principal, que é sabermos que por trás de todas essas coisas está a ação do Pai que é rico em Amor e Misericórdia, podemos concluir que “NADA PODERÁ NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS QUE ESTÁ EM CRISTO JESUS”.

Tire você mesmo suas conclusões.

Categorias: Histórias, Meus artigos

Escrito por Júnior Bocelli

Júnior Bocelli tem 31 anos, é Bacharel em Física, mas se deu bem mesmo trabalhando como web designer e professor; CEO da iCriação - Sistemas Web e Desktop e funcionário público. Amante de Jesus e do Evangelho, dedica parte do seu tempo a ajudar pessoas que querem Deus, mas não suportam mais a religião.


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