Blog do Júnior Bocelli

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Natal, a santa subversão do Reino de Deus

Natal, a santa subversão do Reino de Deus

Fico muito admirado em como o Natal cristão é hipócrita. Não digo da hipocrisia das pessoas que vivem sem nenhum tipo de afeição pelo próximo o ano todo e se aproveitam do Natal para reconstruírem relações anteriormente desfeitas, como alguns podem pensar. Isso ainda é uma benção. Deus queira que isso aconteça, mesmo que seja em uma época específica do ano. Pois, o nascimento de Cristo, como cria Paulo, por exemplo, significa a possibilidade de reconciliação de Deus com o homem, portanto, nada melhor que a celebração do nascimento de Jesus seja uma celebração de reconciliação entre os homens.

Quando falo da hipocrisia do Natal cristão, digo sobre o que a igreja se tornou ao longo do seu processo histórico. Penso em como a igreja cristã aprisionou Deus dentro das suas doutrinas e crenças, pois os cristãos se consideram “guias de cegos”, mas eles mesmos não podem ver que a Graça de Deus é livre e age em todos os lugares e em todas as pessoas.

Eles afirmam que Deus não é apenas mais um ídolo no mundo, mas crêem que são eles, os cristãos, que dão boca a Deus; crêem que Ele criou o Universo e, no entanto, é um Deus impotente, visto que não pode se manifestar aos homens por si só, mas está preso a “boa vontade” da instituição humana a qual se convencionou chamar de igreja.

A Graça de Deus, no entanto, é livre e, na maioria das vezes subversiva; o Natal é um bom exemplo do que digo. Senão, vejamos, a narrativa do nascimento de Jesus começa contando a história de três homens de fora de Jerusalém, três magos astrólogos, místicos de algum tipo:

“Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes , magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus? Vimos a sua estrela no céu e viemos adorá-lo’.”

O Evangelho segundo Mateus começa contando a história do nascimento de Cristo em um lugar distante de Jerusalém, longe do templo e do centro da religião. Ele relata sobre três homens vagando a noite, seguindo uma estrela, uma estrela que os guiava. Muitas foram as tentativas de explicar que estrela era aquela, mas nenhuma delas obteve sucesso.

A estrela que os guiava, era apenas a “estrela dos magos”, e não a estrela de Deus. Qualquer estrela a bilhões de quilômetros da Terra parece mover-se. A única coisa que diferenciava aquela estrela das outras, do ponto de vista dos magos, era o discernimento dos tempos presentes no coração deles, que fizeram com que eles vagassem pelas noites a procura de algo que eles sabiam ser superior a tudo o que eles conheciam – “e viemos adorá-lo” – e que discerniam com o coração que estava sendo realizado por Deus em sua época.

O texto segue nos revelando a cegueira dos religiosos, mostrando o contraste que havia entre aqueles que se orgulhavam de conhecer a Deus e do mundo pagão, representado aqui pelos magos, que nem ao menos sabiam o nome dEle.

“Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda Jerusalém. Tendo reunido os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde haveria de nascer o Cristo. E eles responderam: “Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta:

‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’”.”

Ora, os “chefes dos sacerdotes do povo” e os “mestres da Lei” tinham as Escrituras, mas isso em nenhum momento lhes foi útil, pois seus corações estavam endurecidos a revelação de Deus e nenhum deles estava a procura de onde estaria o Cristo. Eram eles eram quem tinham a promessa: “pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo”, mas eles não discerniram coisa nenhuma acerca da revelação, visto que nenhum deles se propôs a ir encontrar o Salvador do mundo junto aos magos do Oriente.

As Escrituras para eles haviam se tornado apenas letras e nada mais, pois, do que adianta ter as Escrituras sem ter a revelação de Deus? Eles tinham o templo dedicado a Deus, mas Deus, assim como profetizou Isaías preferiu ser encontrado por aqueles que nunca o procuraram; os de fora de Jerusalém e da religião não tinham as Escrituras, mas tinham o desejo e a revelação de Deus em seus corações e isso os guiou até o Salvador. Enquanto isso, em Jerusalém, Herodes tramava planos de morte:

“Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estela havia aparecido. Enviou-os a Belém e disse: ‘Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo’.”

Os magos continuaram o seu caminho seguindo a sua estrela, até chegarem a um lugar, onde a estrela que eles seguiam parou. Procuraram o menino nas redondezas, o encontraram com sua mãe Maria, e, prostando-se, o adoraram. Se Jesus disse que o Espírito Santo foi quem revelou a Pedro que ele era o Cristo, o Filho de Deus, em meio a tantas obras que Ele já havia realizado, quão maior foi a Revelação dada a esses magos que conheceram um Jesus deitado numa manjedoura com os animais da estribaria.

Gratos que ficaram em receber tão grande benção, não se demoraram em abrir os seus tesouros e o oferecerem a Jesus suas riquezas: ouro, incenso e mirra. Pois, haviam encontrado no menino uma representação do Divino superior ao que eles conheciam e, então, a semelhança do peregrino Abraão quando encontrou Melquisedeque, ofereceram a Ele parte de suas riquezas.

Depois de se encontrarem com Jesus e o adorarem, a narrativa do texto em Mateus diz que o próprio Deus agora falara com eles não mais na subjetividade de uma estrela vagando no céu, mas pessoalmente através de sonhos. Eles já não necessitavam que estrela alguma os guiasse, como aconteceu anteriormente, mas o próprio texto diz que o Espírito lhes revelou um novo Caminho:  “retornaram a sua terra por um outro caminho”.

Se Deus rejeitou aquela geração a qual o apóstolo Paulo se referiu como “ramos naturais”, não há motivos para que não faça isso com os “ramos enxertados”, os quais se tornaram essa geração perversa dos nossos dias.

O que Jesus diz acerca daqueles que se vangloriam na presunção de conhecerem a Deus e serem superiores que os demais homens é

“Eu lhes digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus. Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes.”

Quanto a esses, não cabe a nós dedicar nenhum esforço ou preocupação, mas que todo o homem e mulher possam ser guiados pela Luz Divina, assim como disse Zacarias quando se encontrou com Jesus ainda menino

“E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente, para brilhar sobre aqueles que estão vivendo em trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz.”

Categorias: Meus artigos, Reflexões

Escrito por Júnior Bocelli

Júnior Bocelli tem 31 anos, é Bacharel em Física, mas se deu bem mesmo trabalhando como web designer e professor; CEO da iCriação - Sistemas Web e Desktop e funcionário público. Amante de Jesus e do Evangelho, dedica parte do seu tempo a ajudar pessoas que querem Deus, mas não suportam mais a religião.


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