Blog do Júnior Bocelli

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Não existe santidade sem fé na Graça de Deus

Não existe santidade sem fé na Graça de Deus

Não existe santidade sem fé na Graça de Deus. Não existe possibilidade de santidade sem a consciência de que em Cristo tudo já está pago, e que não são as “obras”, ou seja, nada que possamos fazer ou deixar de fazer, que nos conduzem a Deus.

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.”

NEle, a escrita de dívida constituída por mandamentos e ordenanças foi cancelada e, para a nossa sorte, Ele nos concedeu gratuitamente o perdão dos pecados.

“[…] Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz […].”

Até mesmo porque essas ordenanças, que constavam na Lei de Moisés, não tinham o poder de aperfeiçoar a consciência de quem as praticava. Elas apenas poderiam gerar um ser impecável do lado de fora, mesmo que no seu interior habitasse a imundícia, como denunciou Jesus:

“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento.”

e um pouco mais adiante, Ele diz:

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la, já cometeu adultério com ela em seu coração.”

revelando, entre muitas coisas, a nossa total inaptidão para o Reino de Deus.

O que quero dizer é que ninguém poder mudar a sua própria natureza pela a sua própria vontade. A “carne”, que significa a natureza pecaminosa, não é sujeita a vontade do homem:

“[…] a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam.”

Daí todo aquele que confiar em sua justiça própria, e não na Graça, estar sujeito a condenação. Pois, perante Deus “não há um justo, nenhum sequer” e, todo aquele que busca auto justificar-se, separado está de Cristo:

“Vocês, que procuram ser justificados pela Lei, separaram-se de Cristocaíram da graça.”

Temos de um lado a natureza humana, a qual não está sujeita a vontade humana e, do outro, um perdão incondicional e eterno da parte de Deus. Como então, a fé na graça pode gerar santidade, uma vez que esses elementos são tão antagônicos?

Ora, Paulo diz expressamente que a única maneira da nossa liberdade em Cristo não nos servir de ocasião à vontade da carne é servindo ao próximo com amor:

“Mas não usem a liberdade para darem ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. Toda a lei se resume num só mandamento: ‘Ame ao seu próximo como a si mesmo.”

Pode ser chocante para alguns o fato de que a única maneira de não darmos ocasião ao desejo da carne esteja no amor para com o próximo, porém essa não era uma novidade para Jung (um dos pais da psicanálise), quando afirmou que “aquele que reprime e desvaloriza o amor é presa fácil do poder (desejo)”.

O que Paulo nos aconselha é que vivamos pelo Espírito, crucificando a nossa carne junto com Cristo, para que eu possa renascer do Espírito. Pois, a cruz onde foi cancelada a “escrita de dívida” é a mesma que levou os desejos egoístas e escravizadores da carne que tenazmente nos assediava.

Assim Paulo nos encoraja a desistirmos de toda justiça própria e a buscarmos ter em nós os frutos do Espírito, os quais são:

“[…] o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.”

onde, esses frutos, são todos da graça de Deus, não procedendo de nós mesmos, pois, se amamos ao próximo, foi porque “Ele nos amou primeiro”; se temos paz, foi porque “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele”, e assim por diante.

“[…] Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram.”

Por outro lado, quem não busca viver pelo Espírito fatalmente é presa dos desejos da carne e de suas obras:

“Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e invejas; embriaguez, orgias e coisas semelhantes.”

Repare que Paulo fala sobre frutos do Espírito”obras da carne”, pois viver no Espírito requer uma espiritualidade Existencial, não Devocional como propõe a religião. Frutos são sempre uma extensão da natureza da árvore, portanto, existe a necessidade de ser para então frutificar. No caso das obras, elas não necessariamente têm alguma relação com as verdades do coração, tanto para o bem quanto para o mal, como já discutimos.

A igreja cristã contemporânea não pratica mais a Lei de Moisés, a não ser no que lhe diz respeito, o dízimo. De fato, tentar cumprir a Lei de Moisés nos dias de hoje seria algo um tanto bizarro.

Apesar de não cumprirmos a Lei de Moisés, criamos as nossas próprias leis e cumprimo-las no mesmo espírito em que os fariseus cumpriam a Lei de Moisés na época de Jesus, ou seja, no espírito da moral. Esse espírito está presente até mesmo no ateu que busca se justificar diante dos homens com sua boa conduta.

O problema da moral é que ela quase nunca tem correspondência com o Evangelho de Jesus; ao contrário, o comportamento de Jesus na maioria das vezes é imoral, ao ver dos fariseus. De modo que, nos evangelhos, eu não vejo Jesus seguindo o caminho da moral, mas o caminho da Verdade, da Justiça e da Misericórdia. Daí Ele ter se auto-intitulado “O Caminho”, pois Ele é um Caminho divorciado de todo o caminho humano, até mesmo da moral.

A santidade da igreja cristã é segundo a moral humana e não segundo a Ética do Evangelho! Mais que isso, pois no caso dos cristãos temos vários agravantes. Dentre os cristãos históricos temos uma supervalorização da conduta moral; no caso dos pentecostais temos as “doutrinas de santificação” e, no caso dos neopentecostais, a justiça própria diante de Deus é o sacrifício financeiro. Se bem que, hoje em dia, cada grupo tenha assimilado elementos dos demais, sobretudo o do sacrifício financeiro.

Não vale a pena discutir mais sobre esses elementos de justiça própria, porque já fiz isso em outros textos e escreverei especificamente sobre eles em outra ocasião. No entanto, quero chamar a atenção do leitor sobre o perigo de tentarmos agregar qualquer coisa, por mais “bíblica” que seja (como a Lei de Moisés), a Graça concedida por Jesus.

O apóstolo usa palavras fortes quando fala a respeito desse assunto, dizendo que pessoas que tentam agregar sua justiça própria à graça de Jesus estão desconectadas dEle. Diz que tais pessoas “caíram da Graça”, uma vez que para essas pessoas “Cristo morreu em vão”.

Quantas vezes você já julgou alguém segundo a lei? Saiba que, de acordo com Jesus, “com a mesma medida que você julgar, também será julgado” e, visto que pelas obras ninguém é capaz de justificar-se diante de Deus, embora engane os homens, você está andando por um caminho perigoso e sem volta, uma vez que “Cristo teria que morrer uma segunda vez”.

Termino dizendo que a fé na Graça implica, entre outras coisas, na total desistência de toda e qualquer justiça própria. Quem achar que o que eu estou dizendo é uma tolice, é porque nunca botou o pé no Caminho. Se esse for o seu caso, faça o seguinte: Creia firmemente na Graça concedida por Jesus, não aceite nenhuma imposição moral da sociedade ou da religião sobre o seu modo de viver, a não ser que não tenha correspondência com o Evangelho de Jesus. Releia todo o Novo Testamento crendo, sem medo, no que está dito. Em recebendo tal Graça, transfira para o seu próximo no seu dia a dia.

O que acontecerá certamente é o que aconteceu com Paulo, aconteceu comigo e com uma quantidade incontável de verdadeiros Cristãos na história: o “véu da ignorância” será removido da sua mente e você poderá ver as coisas como elas de fato são. O prêmio para quem escolher esse Caminho é, como diz o escritor de Hebreus, poder olhar para Deus sem medo, não por ser justo, mas por ter sido justificado em Cristo. Quanto ao outro caminho, julgue você mesmo onde ele vai dar, pois esse não foi o que eu escolhi.

Escrito por Júnior Bocelli

Júnior Bocelli tem 31 anos, é Bacharel em Física, mas se deu bem mesmo trabalhando como web designer e professor; CEO da iCriação - Sistemas Web e Desktop e funcionário público. Amante de Jesus e do Evangelho, dedica parte do seu tempo a ajudar pessoas que querem Deus, mas não suportam mais a religião.


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